Em algum lugar no nada pensava uma alma perdida. Ali, ela admirava as bordas coloridas da grande esfera, os sons das águas batendo nas pedras e um ruído desagradável que lhe deixava à espera de outro alguém.
Olhando as bordas mudarem de cor, a infeliz não sabia o que fazer. Os pensamentos mudavam, mas o ruído permanecia. As águas escureciam e as pedras esfriavam. A espera interminável se tornava como o ruído, odioso. Ao longe, perto das bordas infinitas, a coitada via o seu destino incerto: a noite chegaria, o vento gelado sopraria e as pedras se desgastariam.
Olhando as bordas mudarem de cor, a infeliz não sabia o que fazer. Os pensamentos mudavam, mas o ruído permanecia. As águas escureciam e as pedras esfriavam. A espera interminável se tornava como o ruído, odioso. Ao longe, perto das bordas infinitas, a coitada via o seu destino incerto: a noite chegaria, o vento gelado sopraria e as pedras se desgastariam.
Os pensamentos permaneciam em busca, talvez, de algo certo. Os pássaros voavam baixo tentando ajudar de alguma forma a pobre alma, mas esta começava a cansar. "Por que as cores mudaram?", "Seriam elas meras ilusões?", pensava. Ela sabia que voar apenas pelo ato não a faria sair da esfera, mas de algum modo sabia que era algo necessário.
O vento gelado chegara mais forte que o cogitado e a alma, mais perdida do que nunca, nada mais conseguia ver. Esgotados seus pensamentos, a alma nada mais tinha. Fraca mas decidida, ela se joga no vazio para voar.
A ilusão do tempo fez o ruído cessar e com ele foi a espera. Então ali, bem perto do vazio, a outra alma sentava nas pedras baixas, ouvindo o som das águas escurecidas. O lugar, cada vez mais sombrio, era iluminado apenas pelas mil estrelas fora da esfera. E as duas almas, sem nada pensar, seguiram voando com os pássaros em direção das luzes.
O calor que as almas antes emanavam à esfera desvaneceu. Esta, antes colorida, desapareceu nas trevas e consigo levou a infelicidade das nuances. Não necessitava mais existir.

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