Foi ali, naquele labirinto mágico, às vezes escuro, às vezes claro, que o anjo se perdeu. Por não encontrar uma saída, foi possuído pela tristeza e, com ela, duas lágrimas caíram de seus olhos verdes profundos. O sol estava presente, mas em alguns instantes estaria ausente. Então o Deus evaporou suas lágrimas e delas formaram-se, na imensidão do céu, milhares de nuvens.
A escuridão chegou, mas dessa vez com relâmpagos. Podendo, por ora, enxergar o seu caminho, o anjo, exausto, continuou o seu passo. Com a luz na escuridão, não havia mais impasses para o tempo existir. Com o passar da primeira hora, o anjo foi tomado pela impaciência e, com ela, um pensamento surgiu: "Como faço para sair daqui?", perguntou-se. Na décima segunda hora, já com doze pensamentos, o vento apareceu. Com ele, os pensamentos se multiplicaram.
Mais perdido do que nunca, o coitado do anjo, apoderado pela tristeza, impaciência e pensamentos impertinentes, derramou, dessa vez, sete lágrimas as quais evaporaram e formaram sete mares no céu. As nuvens não aguentaram carregar tanta água e, então, começou a chover.
Muitos anos se passaram e, com eles, muitos pensamentos surgiram. Porém, nenhum destes encontraram uma solução para sair do labirinto. A chuva continuou a cair e os sete mares já estavam quase formados sobre as terras. O anjo já podia ver as grandes paredes desaparecerem sob as águas, mas sabia que elas continuavam existindo ali.
Com as ondas dos mares, as terras se levantaram e formaram inúmeras ilhas. Em uma delas se encontrava, por ora, o anjo decaído, triste e impaciente. O tempo passou e ele, afundado nos seus pensamentos, esqueceu.
O que ontem foi vivido pelo anjo, hoje foi esquecido. Mas amanhã, quem sabe, quando Deus evaporar os sete mares, o labirinto voltará a aparecer e com ele o primeiro pensamento ressurgir.

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